Episódio 2x06 - The Old Gods and the New

E finalmente chegou um episódio que me deixou agarrada ao sofá e a pedir por mais! Não que os anteriores tenham sido maus, mas de facto já estava a começar a achar demasiados defeitos em várias coisas e a sentir-me desiludida com alguns rumos que a série estava a tomar. Mas vamos recapitular primeiro.



O episódio começa em Winterfell, com Maester Luwin a enviar uma mensagem urgente via corvo, ao mesmo tempo que percebemos que algo de grave se passa no castelo. Depressa percebemos que Theon Greyjoy lá chegou e quer reclamar Winterfell para si próprio. Em conversa com Bran, tenta que este se renda e após a resistência inicial Bran acaba por ceder perante a promessa de manter a salvo o seu povo. No pátio do castelo, Ser Rodrik Cassel é trazido como prisioneiro, que se mostra muito incomodado com a traição de Theon e provoca-o antes de lhe cuspir em cima. Inicialmente, Theon ordena que Rodrik seja levado para uma cela, mas Dagmer avisa-o que isso não será castigo suficiente e que isso o fará fraco ao olhos dos seus homens. Theon hesita, mas no meio do desespero dos miúdos Stark (Rickon aparece outra vez, yay!) acaba mesmo por decapitar Rodrik, numa cena em que é impossível não recordar a cena da decapitação do primeiro episódio da primeira temporada, em que Ned Stark decapita um homem da Patrulha em fuga, não só porque são recordadas as palavras "The man who passes the sentence should swing the sword", mas também pelo contraste entre a "limpeza" com que os dois atos são praticados. Com as condensação e algumas alterações que esta parte da história teve em relação aos livros, tenho a dizer que gostei muito da forma como estas cenas foram feitas, pois mantiveram o espírito dos acontecimentos e foram feitas de forma emocionante e interessante. Excelente início de episódio.



A norte da Muralha, Jon viaja com Qhorin e os outros homens da Patrulha e os dois falam sobre o clima é os habitantes do norte agreste, os deveres como homens da Patrulha e as consequências de fazer parte desta "família". Mais tarde, aproximam-se de um acampamento de selvagens, atacam-nos e no fim sobre um selvagem que é agarrado por Jon e que afinal se revela uma mulher, Ygritte. Após algumas perguntas sobre os movimentos dos selvagens, Qhorin prepara-se para a matar, mas Jon oferece-se para o fazer; Qhorin pede-lhe para se juntar ao grupo quando terminar o que tem a fazer e deixa Jon sozinho com Ygritte... e ele acaba por não conseguir cumprir o seu dever, deixando Ygritte fugir. Depois de a perseguir, consegue apanhá-la, mas depois não encontra os companheiros. Com o cair do dia, vê-se obrigado a aninhar-se em Ygritte por falta de abrigo e para se protegerem do frio. A selvagem aproveita para criar alguma tensão sexual entre os dois, com a desculpa que está a tentar ficar mais confortável. Penso que a entrada de Ygritte em cena trouxe algum interesse à história de Jon, já que este continua com a mesma expressão de sempre. Esperemos por cenas dos próximos capítulos.

Em Harrenhal, Tywin Lannister reúne-se com os seus homens de confiança e repreende Amory Lorch por um erro estúpido, enquanto Arya continua a trabalhar como copeira. Pouco depois, a chegada de Littlefinger é anunciada e Arya fica assustadíssima com a perspetiva de ser reconhecida, mas não tem como fugir dali. Petyr chega e traz notícias do acampamento de Renly e do que por lá sucede, bem como observações sobre a situação atual da guerra, enquanto Arya se esforça ao máximo para não criar oportunidades de ser reconhecida - o que acaba por conseguir. Uma boa cena, que não está nos livros, e que cria no espetador uma tensão emocional que o mantém com os olhos colados no ecrã à espera que o pior aconteça. Mais tarde, Tywin entra na sala enquanto Arya limpava a mesa e observava uma missiva sobre o irmão Robb e segue-se um diálogo entre os dois, que leva a comentários subtis da parte de Arya e de revelação por parte de Tywin, não só sobre o seu pai mas também sobre a ocasião em que ensinou Jaime a ler. Antes de se retirar, Arya leva a missiva com ela e depois de a ler acaba por se encontrar com Amory Lorch, que apanha a carta e se dirige para revelar o facto a Tywin. Arya corre para Jaqen e pede-lhe que Amory seja a segunda pessoa a ser morta por ele. Apesar de concordar, Jaqen fica incomodado pelo pedido ser feito com tanta urgência... mas a verdade é que Amory Lorch cai morto no chão assim que entra na sala de Tywin. Mais algumas alterações ao que sucede nos livros, mas que pessoalmente não me fizeram impressão devido aos excelentes momentos de tensão que proporcionam. Ah, e as interações entre Charles Dance e Maisie Williams estão cada vez melhores. Soberbos!

Em King's Landing, a princesa Myrcella ruma a Dorne, e a família real junta-se no porto para a ver partir. De regresso aos aposentos reais, a multidão começa a revoltar-se contra o rei pela fome que grassa pela cidade e depressa se gera o caos. Joffrey leva com bosta na cara (ahahahah :D), irrita-se e isso provoca ainda mais revolta na população. Joffrey, Tyrion e Cersei conseguem colocar-se a salvo, e Tyrion repreende o sobrinho com mais uma bofetada e várias palavras azedas - as chapadas que Joffrey leva já começam a ser épicas. Sansa fica para trás e acaba encurrada por um grupo de homens mal intencionados que pretendem violá-la. Antes que pior aconteça, Sandor Clegane intervém, mata os homens e leva Sansa para um local seguro. Mais uma vez, cenas emocionantes, bem feitas e bem interpretadas. Gostei bastante de toda esta sequência, especialmente dos momentos em que Tyrion intervém - como tem vindo a ser hábito - mas também fiquei contente por terem começado finalmente a dar mais destaque à personagem do Sandor Clegane, uma das minhas favoritas dos livros.



Em Qarth, Dany é acompanhada por Xaro à presença do Rei das Especiarias com o objetivo de pedir a sua ajuda na disponibilização de embarcações para Dany rumar a Westeros e conquistar o Trono de Ferro. Muito pragmático, o comerciante recusa ajudar Dany por achar que ela tem poucas hipóteses de concretizar os seus intentos e por ter pouco a ganhar com isso. Mais uma boa cena - achei o Rei das Especiarias especialmente convincente no seu papel e Dany também continua à altura, apesar de a sua história nesta temporada ter menos pontos de interesse do que na temporada anterior. Quando regressa aos aposentos de Xaro, Dany percebe que houve um ataque e vários dos seus guerreiros Dothraki - e a sua criada Irri - estão mortos... e os seus dragões desapareceram. Ora, isto é uma completa novidade para os leitores da obra de Martin, já que esta situação nunca decorre. Não sou purista e não me importo com as alterações, desde que não ponham em causa o espírito dos livros e alterem significativamente o rumo dos acontecimentos. Parece-me que esta alteração é um desses casos, e julgo até que a história de Dany pode beneficiar com este acontecimento em termos de interesse.



No acampamento de Robb, este encontra novamente a curandeira, Talisa, e os dois trocam algumas palavras e outros tantos olhares significativos. Robb desconfia que Talisa é uma senhora de nascimento nobre e o rumo da conversa dos dois parece confirmar isso - o que me deixa algo baralhada sobre as conclusões que já tinha tirado sobre esta personagem. Poderá ela não ser de Volantis e estar a esconder a sua identidade por algum motivo político - como se fosse uma espiã? Ou é apenas alguém de nascimento nobre do outro lado do mar que rumou a Westeros e esconde a sua identidade por outro motivo? Teremos de esperar para ver. Entretanto, Catelyn chega ao acampamento do filho e, percebendo que Robb está encantado com Talisa, recorda-o que está prometido a uma rapariga Frey e que deverá concretizar esse casamento sob pena de consequências maiores. Mais tarde, os dois recebem notícias do que se passa em Winterfell e Robb sente-se revoltadíssimo e com vontade de partir e vingar-se de Theon. Um dos seus aliados, Roose Bolton, acaba por convencê-lo a não o fazer e sugere que o seu bastardo possa ajudar a recuperar Winterfell. Robb aceita a sugestão.

De regresso a Winterfell, Osha oferece os seus favores sexuais a Theon, que, como tem vindo a ser costume, não recusa a oportunidade. Quando Theon está a dormir, Osha sai sorrateiramente do quarto, mata um guarda de Theon e foge com Bran, Rickon, Hodor e os lobos de Winterfell.

Como disse no início do texto, adorei este episódio. Foi para mim o melhor da temporada até agora pela tensão e emoção quase constantemente presentes e que levam a quase uma hora que dura este episódio a passar num ápice. Apesar de um ou outro momento mais parado, é um episódio com bastante dinâmica, que cativa o interesse e que faz desejar por mais. Que a temporada continue a este nível!

9/10

Imagens de Wicnet

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2 Responses so far.

  1. LMS says:

    Um bom episódio, sem dúvida. O meu preferido continua a ser o episódio 3, mas este está logo a seguir.

    A morte do Ser Rodrik está muito bem conseguida, apesar de não estar exactamente como nos livros. Se bem me lembro, Theon decapitava um dos criados de Winterfell, Rodrik acaba por ser morto mais tarde e de outra maneira. Se, por um lado, o facto de um simples criado mostrar a Theon a massa de que o Norte é feito (era ele que dizia "O Lord Stark tratava sempre das suas mortes"), por outro o facto de termos o Ser Rodrik no seu lugar mexe muito mais com a "psique" de Theon, a meu ver. Uma boa substituição e adaptação do enredo, a meu ver.

    A cena entre Jaqen e Arya está impagável, principalmente aquele olhar que ele lhe manda antes de ir tratar da morte do Ser Amory. Juro que estava agarrada à barriga de tanto rir...

    O motim em King's Landing está bastante bem encenado! Excelente trabalho das equipas de produção e realização. A chamada "Joff Slap" já se tornou um clássico :D tanto Jack Gleeson como Peter Dinklage estiveram excelentes, e adorei aquele desespero mal-contido que Dinklage emprestou à voz de Tyrion nesse momento.

    Quanto ao roubo dos dragões... meh. Isto é televisão, no final de contas. Tinham que arranjar alguma coisa para a Dany fazer...

    Venha o próximo :)

  2. André Pix says:

    Estava demorado mas redimiram-se do que foram pelo menos os dois últimos episódios.
    Acho que este foi o episódio que mais se aproximou da primeira série. Isto porque na primeira série notava-se sensibilidade no argumento, mesmo fugindo ou avançado uma ou outra parte do livro conseguiam ligar de uma forma mais inteligente e cuidada usando elementos que justificavam e compensavam por vezes sob a forma de suspense.
    Alguém falou já da ausência dos cavalos, vi que os realizadores estão com dificuldades em treinar e controlar os cavalos (claro que é mais esse peso para o orçamento, algo que espero que não seja o problema da próxima série) então têm-nos omitido das cenas. Esta omissão deixa alguma apreensão em relação ao episódio escrito por George Martin nesta série, mas é esperar para ver.

    Em Winterfell não sei se é propositado, mas quando Theon começa a falar para os subordinados do castelo as voz dele afina e sobe uns tons, fazendo-o parecer um miúdo que quer dar ordens, propositado ou não, deu mais insegurança a Theon , reforçando a batalha que ele trava com ele mesmo.
    A ligação que fizeram de Sor Rodrick foi relativamente boa, gostei do “cancro” que criou a Theon ter de o matar. Claro que perdeu a magia do livro, porque por esta altura no livro, quando Sor Rodrick chega às portas de Winterfell com um considerável número de homens pensei “Yeah, já eras Theon Greyjoy agora estás tramado…” e uns parágrafos à frente “Anhm…. OT quê?? Oh não!...”. Foi mais um caso que se perdeu o efeito surpresa.
    Ainda assim fica aqui uma parte subentendida que pode não ser bem engolida pelos que não leram o livro… no episódio anterior Bran disponibiliza a Sor Rodrick “todos os homens que precise” e Theon tem apenas um punhado de homens, logo seria pouco provável sobreviver apenas Sor Rodrick após a sua ingressão à Praça de Thorren e se por ventura sofresse ataques através dos homens de Yara\Asha, certamente que esta não enviaria Sor Rodrick a Theon.
    Apesar disso continuo a achar que foi uma boa e asfixiante cena, uma inteligente ligação de enredo e possivelmente e melhor ”saída”.

    Quanto ao rapto dos dragões deixou um bom trago de suspense para o próximo episódio. . SPOILER DO LIVRO Penso que com este rapto vem para melhor justificar futuras acções de Dany (“house of the undying” possivelmente no próximo episódio) e “despertar o dragão” que existe nela. Assim podem avançar as visões de Dany nos corredores infinitos (cenas que seriam complicadas de fazer e poderiam escorregar em spoilers de cenas futuras), ou então uma procura fugaz pelos dragões nos corredores dessa mesma torre …

    Da mesma forma, penso que se criou uma proximidade entre Lorde Twiyn e Arya, (primeiro porque é ele que a “salva” para copeira, e depois chega mesmo a trocar mais do que meras palavras com ela), e com esta inteligente proximidade criaram-se “aventuras” que traçam os caminhos de Arya sem se necessário viajarmos ao pensamento da personagem.

    Em suma, um episódio muito bem conseguido e que apaga a memória dos anteriores, a única coisa que não me convenceu foram as cenas para além da muralha, mas ainda é cedo para saber o que está para vir daí.

    Parabéns mais uma vez por um óptimo post, melhor não poderia ser dito. Hoje estreia o número 7 nos estados unidos ;)

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