Episódio 2x03: What Is Dead May Never Die

 
O título do episódio, uma espécie de refrão utilizado pelos homens das Ilhas de Ferro em honra do seu Deus Afogado, deixava adivinhar a importância dos Greyjoy nos acontecimentos presentes e futuros. De facto, um dos pontos centrais da trama é o dilema de Theon Greyjoy, entre a tarefa que lhe foi incumbida por Robb Stark e a vontade que tem de recuperar as boas graças do pai e sentir que tem um lar e raízes das quais se pode orgulhar. Balon Greyjoy planeia atacar o norte, enquanto Robb Stark está ocupado mais a sul, mas Theon tenta convencer o pai a aliar-se a ele, em vez disso, e acaba por confrontar o pai com derrotas passadas e com o facto de não ter culpa de ter sido "cedido" aos Stark em tenra idade. Foi uma cena excelente, mais uma vez com uma grande participação de Patrick Malahide e com Alfie Allen à altura. Continuo é a não estar muito convencida pela abordagem que estão a fazer à personagem Yara/Asha... sinceramente, achei-a um bocado irritante. Mais tarde, Theon queima uma carta que tinha escrito a Robb avisando-o dos planos do pai. No dia seguinte, completa a sua "conversão", reforçando os votos ao Deus Afogado e às crenças da sua família. 

O episódio centra-se também bastante nas lutas políticas na capital de Westeros, King's Landing. Tyrion continua a mostrar a sua agilidade e jogo de cintura, testando 3 elementos do Pequeno Conselho que considera não serem de confiança. Assim, diz a Pycelle, Varys e Littlefinger que pretende casar a princesa Myrcella para conseguir uma aliança, mas o futuro esposo varia consoante o ouvinte em causa - uma cena muito bem conseguida a nível técnico, na minha opinião. Assim que Cersei o interpela sobre o assunto, Tyrion descobre de imediato quem é o delator - Pycelle. O velho Maester é, por isso, preso. Mais tarde, uma das melhores cenas do episódio, entre Varys e Tyrion, num diálogo interessantíssimo sobre o poder. Cada vez gosto mais da prestação de Conleth Hill, que penso estar a conseguir transmitir na perfeição aquela personagem escorregadia, misteriosa e inteligente escondida sob um manto de simpatia.


Ainda em King's Landing, é dado algum tempo de antena à prostituta de Tyrion, Shae, que demonstra o seu aborrecimento por estar confinada a um quarto sem nada para fazer. Acaba por lhe ser dada a tarefa de servir como criada de Sansa, numa cena que sinceramente não penso ter acrescentado grande coisa, para além de mostrar um pouco a instabilidade emocional de Sansa. Por outro lado, acho a Shae um pouco insípida e penso que não tem passado muito bem para o ecrã que Tyrion está realmente apaixonado por ela.

Para lá da Muralha, tivemos a cena de abertura do episódio, no seguimento do final do episódio anterior, onde vemos as consequências do facto de Jon ter seguido e descoberto que Craster utiliza os bebés recém-nascidos do sexo masculino como oferenda aos White Walkers, o que lhe foi permitindo manter-se relativamente a salvo de ataques. No dia seguinte, Sam deixa a Gilly o único objeto que guarda da mãe, o que serve de pretexto a ficarmos a conhecer um pouco mais da sua história.

Em Winterfell, Bran continua a ter os seus sonhos com o lobo (já agora, Summer aparece e tem um aspeto fantástico), e fala com Maester Luwin, que tem alguma dificuldade em acreditar no jovem. 

E rumamos pela primeira vez nesta temporada ao acampamento de Renly Baratheon. A chegada de Catelyn Stark para forjar uma aliança coincide com um duelo entre o Cavaleiro das Flores, Loras Tyrell e um guerreiro desconhecido, que o vence e que ficamos depois a saber que é uma mulher, Brienne de Tarth. A atriz que desempenha o papel é enorme e em termos físicos pouco mais se podia pedir para o papel. Tanto na cena em que pede para fazer parte da Guarda Real de Renly como na breve conversa com Catelyn (que termina com um lacónico "I'm no Lady"), a sensação transmitida é a de uma mulher determinada e forte, mas ao mesmo tempo frágil e algo receosa de não ser aceite como aquilo que deseja ser - uma guerreira. Para já, gostei bastante.


Este episódio mostra-nos Renly casado com Margaery Tyrell, irmã do seu amante Loras. Os dois casaram por interesse e, após 15 dias, o casamento continua sem estar consumado. No meio destas cenas, entre Renly e Loras e Renly e Margaery, notei alguma vontade de dar destaque ao triângulo amoroso, por isso vamos lá a ver se isto não descamba.

A parte final do episódio recupera a viagem de Arya para norte, com os recrutas da Patrulha. De noite, a jovem não consegue dormir por lhe estarem sempre a vir à memória as imagens do dia em que o pai morreu. Yoren fala com ela e conta um pouco da sua história, referindo que dizia o nome do seu inimigo todas as noites antes de dormir - algo que quem já leu o livro sabe que Arya faz. Mais tarde, o local onde se encontram é atacado por homens Lannister que procuram Gendry e depois de algumas mortes - a de Yoren foi particularmente bem conseguida - Arya, Gendry e outros são capturados e deverão ser levados para Harrenhal. Os guardas são levados a acreditar que Gendry está morto, uma vez que Lommy utilizou o elmo deste e Arya dá isso a entender.

Gostei deste episódio, mais do que do anterior. Apesar de termos tido personagens novas, ao deixar-se de fora Dany, Robb e Stannis, senti o episódio mais focado e coerente. Teve cenas que não penso terem acrescentado muito, nomeadamente a de Sansa e Shae, mas de um modo geral o nível foi bastante bom, com boas interpretações e bons diálogo. Venha o próximo.

8/10

Nota: imagens retiradas de Wicnet

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7 Responses so far.

  1. Ana Gomes says:

    Para mim este é até agora, de longe, o melhor episódio.
    Finalmente deixaram de tentar cobrir todas as linhas de narrativa num só episódio, o que os tornava pouco coesos e envolventes.
    O argumento e edição deste estão soberbos.
    Espero que os próximos sigam o mesmo caminho!

  2. Anónimo says:

    Até agora estava um pouco apreensivo com os dois primeiros episódios pelas quebras de ligação na narrativa e por algumas cenas algo aborrecidas. No entanto este terceiro episódio deixou-me boquiaberto.
    Destaco o brilhantismo nas cenas da familia Greyjoy e a morte épica de Yoren. Muito bem conseguido este episódio!

  3. Inteiramente de acordo com a Ana Gomes. Por vezes, as tentativas de mostrar aos espectadores um bocadinho de cada "linha de narrativa" fazia com que ficasse tudo muito disperso, impedindo o foco numa delas. Nesse aspecto, também gostei bastante deste episódio.
    Mas para já, nesta segunda temporada, o que me tem realmente cativado tem sido os Greyjoy! A interpretação de Patrick Malahide como Balon tem sido excelente! Na minha opinião acho que transmite fielmente o Balon dos livros com a sua rudeza e desprezo pelo filho que se tornou "lobo".
    As intrigas no reino com Tyrion e as restantes personagens do conselho continuam em alta como não podia deixar de ser. Efectivamente, a cena de Tyrion a testar os 3 membros está muito bem conseguida.
    Quanto à Brienne, confesso que estava à espera de alguém mais "feia" ou uma mulher um pouco mais "quadrada" de feições... Pelo menos é essa a visualização mental que eu tenho dela, fruto dos livros. Aqui, acho-a demasiado mulher para o papel que vai desempenhar... É certo que é ela é enorme e o andar um pouco desengonçado encaixa muito bem mas... não é tão feia como eu estava à espera. :)

    Venha o próximo! :)

  4. Célia says:

    Rodrigo, concordo contigo quanto ao facto de a Brienne do livro ser mais feia, mas temos de ver que seria muito difícil encontrar uma boa atriz com aquele tamanho todo e feia ainda por cima :))

  5. Lewis says:

    Se formos por preciosismos, grande parte dos actores são mais velhos que os personagens dos livros. Tou errado?

  6. C! says:

    Estou a adorar a serie vi a primeira temporada em 3 dias e acho que esta segunda esta fantástica, ando muito em cima do assunto e já vi o 4 episódio e só vos digo se gostaram deste adoraram o próximo,pois é completamente inesperado.

  7. André Pix says:

    Neste episódio as cenas das ilhas de ferro e a Discussão de Theon com Balon Greyjoy foram espectaculares, repletas de frieza e ressentimento, óptimo trabalho de ambos os actores. Quanto à imagem em volta das ilha está soberba, conseguia imaginar algo assim quando li. Agora Asha\Yara??? mas que raio... parece mais um miúdo no início da adolescência com a mania que é rebelde, não gosto mesmo e não está a conseguir transmitir a ideia. Se não tivesse lido os livros pensaria "mas que raio, porque gastam tempo com esta personagem?".
    De sublinhar a cena já referida do "jogo de Tyrion" e a sua conversa sobre poder com Varys, muito muito bom. O método de realização usado para mostrar a conversa em paralelo com os três foi muito bem pensada, melhor forma para o explicar não consigo imaginar.
    Continuo sem me habituar à imagem de Loras, já Renly mostra-se mais "rei",Brienne é gigante gostei, inclusive da sua forma pesada de andar e da sua reforçada armadura.
    Embora no livro o ataque aos homens e recrutados da patrulha da noite seja diferente, compreendo que seria mais uma dificuldade em termos orçamentais e gostei da forma como elaboraram este ataque, dando um fim épico e honrado a Yoren.
    Shae e Sansa, enfim não sei porque fazem isto, talvez para não dar uma casa a Shae por falta de orçamento, ou para não se perderem com mais enredo, no entanto poderiam ter transformado o tempo e local da cena do triângulo amoroso, numa outra saída (mais proxima do livro) para Shae. Não que isso vá agora mexer muito na série, mas não sei até que ponto de futuro este Shae\Sansa não se tornará uma salgalhada com pitadas de novela.

    Bem mas tirando este promenor foi um bom episódio.

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