Episódio 2x02 - Nightlands

Este segundo episódio começa onde o anterior terminou, acompanhando a viagem de Arya (agora Arry, um rapaz) para norte, na companhia dos recrutas para a Patrulha da Noite. E aqui temos pela primeira vez contacto com o misterioso Jaqen H'ghar, um prisioneiro acompanhado por outros dois homens dentro de uma jaula, e que de imediato suscita interesse pela sua estranha forma de falar e pelas suas tiradas enigmáticas. Confesso que em termos de aspeto, fica um pouco aquém daquilo que imaginei, mas fiquei com um bom feeling em relação à forma como esta personagem vai ser interpretada. 

Pouco depois, Guardas da Cidade alcançam o grupo procurando por Gendry, mas Yoren consegue fazer-lhes frente e evitar males maiores. Mais tarde, Arya não consegue esconder de Gendry que é uma rapariga e qual a sua verdadeira identidade. Pessoalmente, acho que o disfarce da personagem como rapaz poderia ter sido um pouquinho melhor conseguido a nível de caracterização, uma vez que amiúde o peito da rapariga é bem notório debaixo das roupas.

Passando para King's Landing, Tyrion vai encontrar Shae a conversar com Varys e imediatamente percebe a ameaça velada do conselheiro. Os dois vão para mais uma reunião do Pequeno Conselho, onde a proposta de Robb Stark é rejeitada por Cersei. Mais tarde, Tyrion janta com Janos Slynt, o Comandante da Guarda da Cidade, e através de um diálogo soberbo mostra a Slynt que não conta com ele pelo seu passado de traições e livra-se facilmente dos seus serviços, substituindo-o por Bronn. Toda esta cena é excelente e é cada vez mais um prazer assistir a cenas com Peter Dinklage. Mais para o fim do episódio, Tyrion e Cersei voltam a ter mais uma boa cena, em que se confirma que, de facto, foi Joffrey que ordenou o assassinato dos bastardos de Robert Baratheon - ao contrário do que sucede nos livros, onde é Cersei quem dá essa ordem.

Para lá da Muralha, os homens da Patrulha da Noite continuam na residência de Craster. Antes de mais, vemos pela primeira vez o lobo Ghost em todo o seu esplendor e que bela visão. Estou a gostar muito do tratamento que deram aos lobos nesta temporada. Depois de falar com Gilly, uma das mulheres/filhas de Craster, Sam tenta convencer Jon a levarem Gilly com eles quando partirem, que teme perder o filho caso este seja um rapaz. Jon recusa-se a fazê-lo - com a mesma cara de enfado de sempre e que, sinceramente, começa a cansar-me de morte. A cena final desta episódio passa-se precisamente nestas terras geladas, durante a noite, quando Jon está no exterior e vê Craster passar com um bebé recém-nascido para o deixar ao relento. Jon tenta aproximar-se quando vê que a criança é levada por um White Walker; quase de imediato é apanhado e ameaçado por Craster.

No deserto vermelho, Dany e companhia continuam a sofrer as agruras da privação de alimentos e do seu isolamento do mundo. Um dos cavalos pertencentes aos homens que Dany enviou regressa sozinho, até que se percebe que trazem a cabeça de Rakharo. Irri mostra o seu sofrimento pela perda e Dany e esta jura que o guerreiro terá um funeral digno. Já no episódio anterior também tínhamos tido apenas uma cena com a Dany. A verdade é que nesta altura do campeonato, não há muito mais a dizer sobre a sua história, mas não deixa de saber a pouco e de me provocar um certo desinteresse no evoluir desta parte do enredo.

E foi neste episódio que rumámos pela primeira vez às Ilhas de Ferro, casa dos Greyjoy. Depois de uma cena com uma prostituta, com nudez à mistura (já normal, e aqui até foi tirada do livro), Theon não tem a receção esperada. Gostei do aspeto árido e remoto de Pyke. Theon encontra-se com a irmã no porto e, sem a reconhecer, acaba por "fazer-se ao piso". E depois veio o encontro com o seu pai, Balon Greyjoy, que foi, para mim, a melhor cena do episódio. Não me lembro de, ao ter lido o livro, Balon ter sido uma personagem que me impressionou particularmente, mas Patrick Malahide conseguiu transmitir de forma soberba o seu caráter orgulhoso e áspero, tornando-o ao mesmo tempo carismático. Para além de que fez o Theon parecer um tolo, e isso é sempre bom :) Mesmo no final, reaparece a irmã de Theon - a tal que decidiram renomear de Yara, mas no que livro é Asha - e ele percebe que foi enganado e que o seu pai confia nela como sua herdeira. Em relação a esta personagem feminina, sinceramente ainda nem sei bem o que pensar. Pareceu-me um pouco pretensiosa e cínica em relação ao que me lembro, mas aguardo por novas cenas para solidificar a minha opinião.

Perto de Dragonstone, vemos Davos a tentar convencer um pirata seu velho conhecido, Salladhor Saan, a fornecer navios para Stannis conseguir conquistar King's Landing, prometendo-lhe ouro em troca. Depois de uma troca de palavras com algum humor à mistura, para desagrado de Matthos, filho de Davos, Saan acaba por concordar em contribuir para a causa. Depois disto, Matthos tenta convencer o pai a aceitar a fé no Senhor da Luz, mas este diz-lhe que apenas tem fé em Stannis. Já em Dragonstone, Davos comunica ao seu senhor o apoio de Saan, e depois de se retirar assistimos a mais uma cena de sexo entre Melisandre e Stannis, que apesar de estar subentendida no livro, aqui me pareceu um pouco forçada e talvez um pouco fora de contexto com o caráter de Stannis, que por ser um homem tão ciente do seu dever, me pareceu ousado demais aceitar algo assim precisamente na Mesa Pintada.

E para o fim deixei a cena que me pareceu mais desenquadrada, desnecessária e aborrecida deste episódio: Littlefinger e companhia no seu bordel. Começando por Littlefinger espiar os atos sexuais das suas prostitutas com os clientes e terminando com uma conversa interminável com Ros porque a "pobrezinha" não conseguiu esquecer o ato de violência com o bebé, enquanto Littlefinger tenta fazê-la perceber que não está na sua posição dar-se ao luxo de questionar estas coisas e que se deverá recompor. Eu juro que tentei perceber qual o objetivo desta cena, mas é difícil - para além de ter tornado o Littlefinger ainda mais creepy. Minutos preciosos que se perderam aqui e que poderiam ter sido tão melhor gastos com outras coisas. Enfim.

De uma forma geral, gostei deste episódio mas achei que foi menos bom que o anterior devido a alguns momentos mais parados, que não me pareceram deixar fluir o episódio tão bem. Há que ver, no entanto, que continuam a surgir novas personagens e que não é muito fácil conjugar todas estas linhas narrativas. Veremos o que o episódio da próxima semana nos reserva.

7/10

Categories: ,

4 Responses so far.

  1. Anónimo says:

    Optimo comentario
    So um aparte, quer queiramos quer nao, as cenas de sexo vendem... e ajudam a termos uma terceira e quarta temporadas, por isso venham elas...
    E se formos a ver eles até devem ter aligeirado um pouco a cenas com o greyjoy, tanto dentro do barco como com a irma, no livro acho que sao um pouco mais 'intensas'.

  2. Anónimo says:

    Boa análise ao episódio. Concordo com a pontuação atribuída.
    A cena no bordel do Littlefinger está demasiado explicita no que respeita à nudez/sexo. Percebo a intenção de aprofundar a personagem do Littlefinger e penso que o conseguiram apesar de com moderado interesse.
    O sexo e a nudez estiveram presentes na primeira temporada e assim continuarão mas para 50 minutos de episódio penso que neste episódio exageraram.
    Um dos aspetos que tornam os livros interessantes é a separação e isolamento das personagens o que nos leva numa linha mais introspectiva. Essa característica que é enriquecedora nos livros pode tornar a série mais aborrecida do que o habitual.

  3. Anónimo says:

    Olá, boa noite.
    Antes de mais queria felicitar por este blog e todo o notável trabalho em volta do mesmo.

    Óptimo detalhe deste segundo episódio, não posso deixar de concordar nos vários aspectos aqui referidos... Aproveito apenas para sublinhar o meu parecer de algo que já me maravilhou na série passada, a fotografia e o som estão incríveis, os pormenores do som de fundo (ventos de Winterfell que se fazem ouvir enquanto a cena decorre no interior dos salões , por exemplo)...

    Em relação a este episódio, não imaginava o Rorge nem o Dentadas (Biter) quando pela primeira vez surgiram no livro, aguardo os próximos episódios para me habituar à imagem... Gostei da negra frieza transpirada pela personagem de Balon Greyjoy, imaginava assim no livro, na caracterização… embora com mais algum cabelo, é mais uma personagem que sofre do “corte de cabelo” em relação à descrição do livro.
    Peter Dinklage soberbo, teatralização das suas entradas e aquele sarcasmo adocicado já habitual dos seus diálogos são algo de incomparável.

    De negativo: não percebi a morte de Rakharo, se não foi para eliminar por falta de disponibilidade do actor, o motivo que vejo será talvez para reforçar o perigo que os Khal’s representam para Dany. A já referida cena de Ros, não consigo mesmo compreender, mesmo na série anterior, a menos que seja alguém que venha a ser importante de futuro (Estou na primeira parte de “Tormenta das Espadas” e como tal ainda não sei). É verdade, como foi dito acima, que o sexo vende e realmente as cenas de Greyjoy são menos intensas que no livro, mas ainda assim é tempo queimado, que poderia ser aproveitado noutras cenas.
    De resto, nada a apontar

    Até ao próximo episódio

    André

  4. Célia says:

    André, penso que a morte do Rakharo teve algo a ver com a disponibilidade do ator para continuar na série, mas não consigo confirmar isso a 100%.

    De resto, obrigada pelo elogio :)

Leave a Reply

Partilhar