Episódio 2x01 - The North Remembers

Este primeiro episódio da nova temporada é como que um ponto de situação das várias frentes da história, servindo ao mesmo tempo para introduzir algumas novas personagens e linhas do enredo.

Em primeiro lugar, somos levados a King's Landing, onde Joffrey dá asas à sua estranha noção de divertimento no seu dia de anos, com a companhia dos irmãos e de Sansa. É nessa altura que o nosso querido Tyrion dá o ar da sua graça, com uma entrada triunfante em cena, que nos relembra o porquê de gostarmos tanto desta personagem e do trabalho de Peter Dinklage - uma mistura de bom humor, sagacidade e inteligência. Tyrion não perde tempo em "aborrecer" o Pequeno Conselho ao anunciar que é a nova Mão do Rei.

Em Winterfell, Bran tenta estar à altura das suas funções como senhor do local, com as audiências aos seus súbditos, enquanto tem sonhos nos quais incorpora a pele do seu lobo. Este lobo é a primeira visualização dos lobos CGI que vamos ter esta temporada e pareceu-me bastante bem. 

Na vastidão do deserto vermelho, do outro lado do mar, Dany e a sua pequena hoste continuam a vaguear, perdidos e cada vez mais desesperados. Dany tenta ainda adaptar-se aos seus dragões e manda cavaleiros em várias direções para tentar descobrir alguma cidade ou caravana que os possa ajudar.


Do calor do deserto, passamos para o gelo para lá da Muralha. Os homens da Patrulha Negra continuam a sua progressão e param na casa de Craster, um selvagem que é, de certo modo, considerado amigo da Patrulha, que vive com as suas inúmeras mulheres, várias delas ao mesmo tempo suas filhas. Jon Snow tem um pequeno desentendimento com o Comandante e continua, para mim, tão aborrecido como na temporada anterior.

E para uma nova localização: Dragonstone. É aqui que vive Stannis Baratheon, irmão do falecido Rei Robert, e que se considera o legítimo herdeiro do trono. A primeira cena mostra um ritual onde estátuas dos deuses antigos são queimadas, para dar lugar ao culto de um novo deus, R'hllor, o deus de Melisandre, a sacerdotisa vermelha que aconselha e influencia Stannis. Para além de Stannis e Melisandre, temos também o nosso primeiro contacto com Davos Seaworth, outro homem de confiança de Stannis, que apesar do seu deprezo por Melisandre, apoia as decisões do seu senhor sem reticências. O Maester do local, Cressen, está revoltado com a adoração dos novos deuses e a influência de Melisandre, e tenta envenená-la durante uma reunião, mas falha e acaba por sacrificar-se em vão. Gostei muito das emendas que Stannis foi fazendo à carta que pretende enviar para todo o Westeros a desmascarar o facto de Joffrey e irmãos não terem sangue Baratheon: mostrou muito bem a fibra da personagem. Quanto a Melisandre, a personagem pareceu-me um pouco mais low-profile do que no livro e do que eu esperava, mas mesmo assim agradou-me a prestação de Carice Van Houten.

E finalmente rumamos ao acampamento de Robb Stark. Na primeira cena lá, Robb visita o seu prisioneiro Jaime Lannister, e tenho a dizer que foi a cena que mais gostei neste episódio. Jaime a tentar manter a sua postura de escárnio, mas com Robb completamente à altura e a sair por cima com a sua atitude confiante. E a presença de Greywind no final é soberba: pelo que li, os lobos foram compostos com base em filmagens reais, que depois foram adicionadas à cena que estamos a ver. Penso que resultou muito bem, porque fica muito real. 

Ainda no acampamento, Robb apresenta as suas condições de paz ao enviado dos Lannister, Alton Lannister, noutra cena em que a personagem mostra toda a sua determinação. Theon Greyjoy convence Robb a rumar à sua terra natal, as Ilhas de Ferro, para pedir ao seu pai a frota necessária para atacar King's Landing, e assistimos também a um pequeno desentendimento entre Robb e a mãe, gerado pela sua crescente preocupação política e pela vontade que Catelyn tem em salvar as suas filhas das garras dos Lannister. Robb acaba por convencer a mãe a rumar a Sul para falar com Renly Baratheon e tentar convencê-lo a aliar-se às forças do norte.


Em King's Landing, Cersei mostra o seu poder a Littlefinger, mas de seguida tem dificuldades em impôr-se em relação a Joffrey, que demonstra cada vez mais o seu lado cruel e maquiavélico. E, para mal dos meus pecados, aparece de novo a prostituta Ros em cena, agora gerente de um dos bordéis de Littlefinger, a dar indicações às suas "funcionárias" em mais uma cena de nudez gratuita. Que não podia deixar de estar presente, não é? Isto antecede uma busca dos bastardos de Robert pela Guarda Real, que termina com Gendry (um desses bastardos) e Arya a rumar a norte com a recruta da Patrulha.


De um modo geral, gostei bastante deste episódio. Pareceu-me um bocado desconexo em alguns momentos, pela diversidade de personagens e narrativas que acompanha, apesar de ser notória a preocupação de ligação entre várias delas. Tenho noção que provavelmente era difícil fazer muito melhor e que este foi um episódio de ligação necessário que, apesar disso, teve momentos muito bons. A nível de atores, fiquei particularmente impressionada com o desempenho de Lena Headey, de quem nunca fui grande fã no papel mas que neste episódio teve detalhes brilhantes. Gostei de todas as cenas de um modo geral, com exceção da cena do bordel e do regresso do emo-Jon Snow. Para a semana há mais!

8/10

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5 Responses so far.

  1. Ana Gomes says:

    Concordo com o 8/10.
    Não sendo um episódio excelente é um episódio necessário de introdução.

    Adorei as cenas do Robb, acerca das quais estava expectante pois apenas são vistas indirectamente nos livros. A do Greywind em particular está UAU!
    Gostei da Melisandre. Na cena do envenenamento a actriz esteve brilhante.
    As cenas do Joffrey foram soberbas.
    Também fiquei particularmente impressionada com o desempenho da Lena Haedey.
    Em termos de cenário, a fortaleza do Craster está exactamente como imaginei, em termo de cena... perde-se completamente no resto... é quase inútil.
    Inútil certamente foi a cena da Ros.

    No final fiquei com uma enorme vontade de ver mais, ainda por cima terminando o episódio com a Arya.

  2. Bom episódio... acima de tudo pela ansiedade com que o esperávamos :)

    Como era suposto, acabou por ser um episódio introdutório com o objectivo principal de nos recolocar nos trilhos das várias histórias paralelas que vão decorrendo. Desde King's Landing e as loucuras de Joffrey, até ao acampamento de Robb, passando pelo deserto e pelo exausto kalhasar de Daenerys e ainda pelo extremo Norte, nas terras para lá da muralha, nomeadamente a fortaleza de Craster.

    Continuo a gostar bastante (e até a surpreender-me) com a actuação deste Robb que deixa o Robb dos livros a milhas de distância. Infelizmente, passa-se exactamente o contrário com o Jon Snow da série... Pobre, triste... demasiado para a qualidade das restantes personagens.

    Também gostei da viagem a Dragonstone. Acho que o Stannis mostrou aquilo que é e a Melisandre ficou um pouco aquém. É verdade que foi o primeiro contacto com ela, mas o papel de conselheira que ela desempenha nos livros é muito mais "forte" do que aquilo que ela mostrou neste episódio. Aguardemos novas aparições.

    E "at last, but not the least", o GRANDE Tyrion está de volta!!! Gigante, como sempre.

  3. LMS says:

    Foi um episódio com bons e maus pontos.

    De maus tenho a salientar a cena entre Cersei e Littlefinger, que a meu ver foi completamente "out-of-character" para ele - o Mindinho nunca desafiaria alguém tão abertamente. As cenas passadas em Dragonstone pareceram-me um pouco apressadas (o que é uma pena porque é dos meus arcos preferidos de toda a história) mas compreende-se pelo facto de terem que expor tantas narrativas em tão pouco tempo.

    De bom, destaco especialmente a sequeência final, com uma coordenação perfeita entre as imagens e a música de fundo. Absolutamente perfeito, na minha opinião! Os lobos em CGI estão impecáveis, o Richard Madden está um Robb e pêras, e fiquei satisfeitíssima com a prestação da Carice van Houten como Melisandre - já a conhecia do filme "Valkyria" e estava com expectativas elevadas!

    Focando um outro ponto que gostava de discutir convosco - na série ficamos com a impressão que foi Joffrey a ordenar a morte dos bastardos, mas no livro sempre foi dado a entender (pelo menos a mim) que a ordem partiu de Cersei. Estarão com isto a tentar humanizar a rainha e tornar o Joffrey numa personagem menos unidimensional, dando mais ênfase à veia cobarde dele e tornando-o mais do que um miúdo mimado e cruel?

    Desculpem o testamento :p

  4. Célia says:

    LMS, eu fiquei com a sensação nítida que foi o Joffrey a ordenar a matança dos bastardos. No livro, isso parte da Cersei. Eu penso que sim, que a ideia é humanizar um pouco a Cersei, talvez uma das personagens menos ambíguas de Martin - no sentido em que há poucas dúvidas que ela é detestável. Já na primeira temporada tinha notado um pouco essa tendência, com aquela cena em Winterfell quando fala da criança que perdeu. Como disse ali no meu post, nunca fui a maior fã da Lena Headey, mas acho que ela teve um desempenho excelente neste episódio.

  5. Anónimo says:

    Gostei bastante do episódio. Partilho todas as coisas boas que referirão e só não me sinto tão motivado pela história do Robb....e porquê? Bom, do meu ponto de vista, a história do Robb está a ser uma das mais alteradas em relação ao livro, senão a mais alterada. E pior que isso, há coisas que não fazem necessariamente muito sentido. Por exemplo...não se sabe onde ele está ou o que anda a fazer neste momento. O Robb é talvez o único personagem importante que está em paradeiro incerto. Sabemos que venceu já 3 batalhas mas onde e contra quem??? Pois....nada! Sabemos que ele anda algures pelos territórios da família da mãe, os Tully....mas ver os Tully??? Pois, nada! Acho que neste momento é um tudo nada suspeito como diabo uma família que é mais poderosa que os Frey e não aparece ou não tem soldados ou castelos.....porque diabo anda o Robb que nem um saltimbanco no meio do mato??? E qual é afinal a situação dele? Venceu ou não venceu 30.000 Lannisters? Levantou ou não levantou o cerco a Riverrun? Que se passa com Riverrun? Enfim....perguntas e mais perguntas, o pior é que não me parece que venham aí respostas.

    Rui

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