Como se fez "A Guerra dos Tronos"

O Expresso publicou ontem uma entrevista aos produtores D.B.Weiss e David Benioff a propósito da estreia da série em Portugal, na qual falam apenas sobre a primeira temporada. Aqui fica a transcrição, com um obrigada à Telma pela dica.



Começaram por ser romancistas e acabaram por vir a fazer parte da multimilionária indústria cinematográfica. Benioff já tinha estado na génese de "Troia", escrevera a "Última Hora", de Spike Lee, "X-Men" e um guião sobre Kurt Cobain. Weiss trabalhara em guiões para "Halo", "Ender's Game" e "Eles Vivem", de John Carpenter. Mas é mesmo de "A Guerra dos Tronos" que nos querem falar.


Qual foi a parte mais difícil na produção da série?
David Benioff: Chegar a este momento, ter a série pronta e a ir para o ar. Demorou 5 anos. Os livros de George RR Martin foram-nos enviados há cinco anos e entrámos na HBO em março de 2006. Quando lhes apresentámos este projeto, foi antes de "Sangue Fresco", e eles nunca tinham feito nada com dragões e clãs do norte. Por mais que a fantasia faça parte da história não deixa de ser fantasia e não queríamos fugir a isso. Convencer as pessoas que era uma série que valia a pena ter na HBO foi um desafio.


É um género fora do vulgar para a produtora HBO...
D.B. Weiss: Quando lemos os livros a primeira coisa que pensámos foi que eram histórias absolutamente fantásticas. A segunda coisa em que pensámos foi que era demasiado complicada, desenvolvida, sexy e violenta para um filme. O único sítio onde fazia sentido existir era na HBO.


E os tentadores orçamentos do cinema?
David: Bem, a HBO é definitivamente mais generoso que os típicos canais de televisão. Para televisão tem um excelente valor de produção. E tem que ter porque temos castelos e guarda-roupa criado de raiz, um enorme elemento de efeitos visuais, cavalos e lutas, todas essas coisas são morosas e dispendiosas e não se veem muito em TV. Penso que as obras de George RR Martin são excelentes e em livros desta dimensão há lições a assimilar sobre poder, busca do poder e o que o poder faz aos indivíduos. Se pudesse escolher um elemento dos livros para explorar, seria o poder. É como "The Wire" ou "Os Sopranos" mas na Idade Média. Há uma perceção geral em Hollywood de que a fantasia é para rapazes de 12 a 15 anos e esse é o público-alvo. É o que as pessoas pensam em termos de TV e filmes quando se fala de fantasia. Convencer as pessoas de que não era esse o caso constituiu parte do desafio. Mas as pessoas da HBO perceberam a ideia. Viram que eram histórias humanas, histórias adultas e maduras e entenderam que ia ser excelente em televisão.


Qual o motivo de um elenco predominantemente britânico?
David: As obras de George passam-se num mundo fantástico, mas são bastantes inspiradas na história britânica e em particular na Guerra das Rosas. Ele dizia, e nós pensamos o mesmo, que quando escrevia imaginava o sotaque britânico. Porque é que a fantasia deve ser com sotaque inglês? Não achamos que todas as adaptações devem ser, mas para nós, nesta versão, sempre pareceu o melhor e desde o início sempre pensamos em Sean Bean e tudo o resto foi feito à sua volta.

D.B. Weiss: Logicamente a fantasia não deve ser necessariamente com sotaque britânico. Só por ser inspirada numa história antiga, não faz sentido não falarem da mesma forma que nós. Mas se Ned Stark aparecesse no ecrã e dissesse 'Tudo na boa?' não seria o mesmo.


Como escolheram Emilia Clarke? Ela é praticamente desconhecida.
David: Ela foi incrível na audição. Nunca tínhamos ouvido falar nela. Houve tanta gente a vir às audições, que a primeira etapa do processo foi vê-las em vídeos. A primeira vez que vimos Emilia era apenas uma pequena imagem no ecrã, mas havia algo incrivelmente persuasivo nela. É um papel muito difícil, porque é uma das minhas personagens preferidas do livro. Começa por ser uma rapariga muito tímida e magoada. Foi maltratada toda a vida e parece que está a ponto de se ir a baixo a qualquer momento. De repente, torna-se rainha. Por isso, tínhamos que encontrar uma atriz bastante jovem e que conseguisse desempenhar estas duas facetas: rapariga dócil e rainha poderosa, e poucas jovens atrizes conseguem fazê-lo.


É uma série dura em alguns sentidos; não sabemos por quem torcer e morrem tantas personagens...
David: É um dos pontos de que gostamos bastante nos livros. Temos sempre medo de voltar a página porque não sabemos o que vai acontecer. Chegamos ao livro 3 e parece que a cada página morre uma personagem. É algo que é doloroso, mas também nos mantém interessados porque adoramos as personagens e temos receio por elas.

D.B. Weiss: Penso que seja uma vantagem da televisão vs. filme. Por exemplo, quando penso na morte de Christopher em "Os Sopranos", e após passar oito temporadas com aquele tipo, sinto que cresci com a personagem e vê-lo ser assassinado depois de tanto tempo afetou-me muito mais emocionalmente do que qualquer filme de que me lembre. Passa-se o mesmo com o livro de George. Uma das coisas que mais nos atraiu foi o facto de ele estar disposto a sacrificar quase qualquer personagem.


Estavam nervosos com a reação dos fãs?
David: Tendo uma forte legião de fãs era definitivamente um dos elementos chave para a série ser aprovada. Por isso, estamos muito agradecidos aos fãs dedicados. Nem todos vão ficar satisfeitos com a nossa versão, é um facto. Acreditamos que se agradarmos a George então estamos no caminho certo. O que não quer dizer que todos os fãs concordem, mas espero que a maior parte concorde.


Leem os fóruns online dos fãs?
David: Já chegamos a espreitar os fóruns. Mas impus a mim mesmo uma proibição porque 95% das coisas são positivas mas eu foco-me no restante. Vai correr tudo bem. O que poderia correr mal? (risos)

One Response so far.

  1. É tão giro saber que o primeiro actor em que se pensa é o Sean Bean. :D Também pensei exactamente o mesmo e só por isso soube que o resto do casting ia ser fenomenal. E a Emilia faz mesmo um trabalho fenomenal. Penso que de todos, juntamente com a pequena Maisie, é a que se vê evoluir, tal como acontece à própria Dany.

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