Entrevista a Sean Bean

Ainda na sequência da presença no TCA a propósito da série Game of Thrones, Sean Bean foi entrevistado por Christina Radish, do Collider.com. Aqui fica a tradução da entrevista, com a nota que para lerem as partes que contêm spoilers, basta seleccionarem o texto que aparece por detrás das barras negras.


Em Game of Thrones, a nova série de fantasia épica da HBO, baseada nos livros de sucesso de George R.R. Martin e com data de estreia a 17 de Abril, o actor Sean Bean (O Senhor dos Anéis) desempenha o papel de Lord Eddard "Ned" Stark, um homem do norte a quem é pedido pelo Rei Robert Baratheon (Mark Addy) que vá para sul e o ajude a governar o seu reino após a morte duvidosa do seu braço direito. O rei é casado com Cersei Lannister (Lena Headey), dos ricos e corruptos Lannisters, que tem a sua própria agenda, enquanto a adolescente exilada Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) e o seu irmão Viserys (Harry Lloyd), cuja família governava os Reinos há muito tempo, procuram recuperar o trono.

Na Press Tour de Inverno da TCA, Sean Bean falou acerca do regresso ao género fantástico, desempenhando o papel de um poderoso herói guerreiro, numa história de âmbito bastante épico, e no seu desejo de continuar a explorar novas personagens sem passar muito tempo com o mesmo papel.

Pergunta: Nesta grande história épica, quem é a sua personagem, Ned Stark?
Sean Bean: É um tipo do norte do território. Tem uma família. É um homem com um casamento bastante feliz. é um homem duro e forte, muito leal e vulnerável, o que fará parte da sua ruína.

P: Chamar-lhe-ia o herói da série?
SB: Sim.

P: Por ter entrado em O Senhor dos Anéis, e agora fazer isto, havia algum receio de estar a ser seleccionado para papéis de guerreiro poderoso, ou é uma coisa boa ser escolhido assim?
SB: É uma coisa boa ser seleccionado para papéis deste tipo, não é? Suponho que seja semelhante a O Senhor dos Anéis na dimensão, na qualidade, na magia e no perigo. Gosto de representar papéis que incluam andar a cavalo, manejar espadas, lutar, usar perucas e deixar crescer a barba, apesar de não gostar de demorar três horas para estar pronto logo de manhã. Tenho afinidades com este tipo de papéis. Acho que o positivo acerca de Game of Thrones é que há tanto por onde ir. O Senhor dos Anéis foram três filmes, foi feita uma pesquisa minuciosa e ficou muito bem replicado no ecrã. Mas com o que o (autor) George [R.R. Martin] criou, é um mundo muito diferente. Vai muito, muito mais longe e durante mais tempo, e há mais voltas e reviravoltas, mas certamente que gosto deste género.

P: O Senhor dos Anéis foi um grande épico no que respeita à dimensão da produção, e este parece ter a mesma grandiosidade, mas com um pouco menos de recursos. Isso afecta-o como actor?
SB: Não achei que me afectasse de todo. Acho que a dimensão dos valores da produção investidos em Game of Thrones foi incrível, diferentes de tudo o que já tinha visto, mesmo n'"O Senhor dos Anéis". Foi uma produção maravilhosa, claro. Fiquei muito orgulhoso de fazer parte disto. Mas fiquei completamente impressionado pelo detalhe, pelo simples tamanho de tudo, pelo artesanato no estúdio e nos cenários de Game of Thrones. Era tudo tão detalhado e tão vasto, e deu muito trabalho. Foi como trabalhar num grande filme todas as semanas. Cada um dos 10 episódios foi como um filme grandioso. Acho que estabelecemos realmente um padrão elevado. E o facto de ser feito pela HBO significa que estamos em boas mãos. Há pessoas de boa qualidade por trás. Como disse, é uma obra frenética, sexy, violenta, negra e brutal onde ninguém esta a salvo, e há tantas voltas e reviravoltas, e as personagens estão tão bem delineadas. Acho que quem quer que veja isto ficará, espero, fascinado pelo que conseguimos fazer.

P: Trabalhou 15 meses em O Senhor dos Anéis e tem uma temporada de 10 episódios para Game of Thrones. Pode comparar-se, de todo?
SB: Existem comparações. Foi no outro lado do mundo que fizemos O Senhor dos Anéis, e filmámos a maioria disto na Irlanda do Norte. São histórias muito diferentes. Esta história é muito frenética. Toda a gente tem de estar atento às suas costas. Acho que o (autor) George [R.R. Martin] criou o seu próprio mundo, tal como Tolkien.

P: A magnitude do trabalho é semelhante?
SB: Sim, é. Para mim foi, especialmente porque n'O Senhor dos Anéis fazia de Boromir e só entrei no primeiro filme, basicamente. Mas, para este, foi muito intensivo e comecei intensivamente durante as primeiras seis ou sete semanas a entrar no papel. E foi comprimido em seis meses, por isso fiz a mesma quantidade de trabalho em metade do tempo.

P: Isto é televisão, por isso continuam a haver batalhas físicas onde possa combater?
SB: Oh, sim. Coreografámo-las com semanas de antecedência, por isso sabíamos exactamente o que estávamos a fazer no dia e podíamos adaptar-nos ou improvisar. Foi tudo real e foi difícil porque foi em Malta, onde estavam quase 40º e estávamos todos cobertos de couro e peles, por isso trazíamos sacos de gelo. Foi divertido. Foi emocionante.

P: Uma vez que o livro é contado através de capítulos por personagens, e todas as cenas principais relacionadas com o Ned estão na perspectiva do Ned, isso ajudou-o a encontrar esta personagem, em vez de ser uma narrativa corrida?
SB: Sim, ajudou. Existe a tendência de juntar muito mais informação acerca das personagens pelo que as outras pessoas dizem, em vez de como vem descrito nos livros. Foi uma história interessante para Ned porque ele está numa espiral de ruína e está num ninho de cobras, rodeado de pessoas que apunhalam nas costas e pessoas corruptas. Foi interessante ler o livro completo, em vez de apenas os capítulos do Ned.

P: Ele é o último homem nobre e justo no mundo?
SB: Neste momento no tempo, sim. A sua honra e a sua lealdade são de tal ordem que o levam à ruína. Uma vez que é tão rigidamente honrado e tão leal, isso é tudo o que conhece. Apesar de ser uma virtude, no caso de Ned, é a sua ruína.

P: Sentiu alguma pressão adicional por saber que os fãs deste livro basicamente depositam as suas esperanças e sonhos para esta série no seu desempenho deste papel?
SB: Sim, é uma grande responsabilidade. Obviamente, fiquei encantado quando conheci o David e o Dan (produtores executivos). Li o livro e achei-o muito excitante, muito exuberante, muito perigoso, muito frenético e muito sexy. Foi muito lisonjeador. Sinto-me muito lisonjeado por ter sido escolhido para desempenhar este papel.

P: Estava preocupado em assinar contrato para fazer uma série por um período de tempo superior ao que demora a fazer um filme?
SB: Sempre preferi trabalhar intensivamente em algo e depois seguir para outra coisa. Apesar de serem livros maravilhoso e obras maravilhosas, prefiro não ficar preso a algo que vai tomar cinco ou seis anos da minha vida.

P: Tem filmes prestes a estrear?
SB: Existe um filme histórico, chamado Age of Heroes, que é sobre os Comandos na Segunda Guerra Mundial. E fiz o Soldier's of Fortune.

P: O que é que se passa com o A Woman of No Importance?
SB: Isso já anda por aí há anos e anos, por isso não tenho a certeza. Mas seria agradável fazê-lo.

Fonte: Collider

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